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terça-feira, 1 de julho de 2008

O Discurso do Chefe Seattle


No a no de 1854, o presidente dos Estados Unidos fez, a uma tribo do Norte, a proposta de comprar suas terras, oferecendo em contrapartida a concessão de uma outra "reserva". O texto da resposta do Chefe Seattle tem sido considerado através dos tempos, um dos mais belos pronunciamentos a respeito da importância das tradicões. Já li em algum lugar que tal resposta foi falsifiacada por um jornalista, mas isso não tira o valor do que foi dito.

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuíssemos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível vendê-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada amo, cada punhado de areia do deserto, cada sombra de árvore, cada uma destas coisas é sagrada na memória de meu povo.

Os mortos homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem estas montanhas e vales, pois assim é o rosto de nossa Mãe. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores são nossas irmãs; o cervo; os cavalos; a grande águia são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do potro e o homem - todos pertencem à mesma família. Portanto, o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar a nossa terra, pede muito de nós.

O Grande Chefe diz que irá nos colocar em um lugar onde poderemos viver felizes. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos consider a sua oferta de comprar a nossa terra.

Mas isso não será fácil, porque essa água brilhante que corre nos riachos não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhe vendermos a terra, eles podem esquecer que o murmúrio das águas é voz dos nosso ancetrais, e as lembranças de tudo o que ocorreu enquanto vivemos aqui.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem á noite e extrai da terra aquilo que se necessita. A terra não é sua irmã, mas uma mulher atraente, e quanto ele a conquista, prossegue seu caminho.

Deixa para trás os túmulos de seus antepassadose não se encomoda. Retira da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seus pais e o direito de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de sua cidades ferem os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o índio é um selvagem e não compreenda. Não há lugar quieto na cidade do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. O ruído parece somente insultar os ouvidos e o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa á noite? O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. O homem não tramou o tecido da vida: ele é simplesmente um dos seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar a fugir desta realidade. De uma coisa estamos certos: nosso Deus é o mesmo Deus deles. A terra Lhe é preciosa, e feri-la é desprezar o Criador. É o final da vida e o início da sobrevivência.

Este texto foi repostado no "O Globo" na coluna de Paulo Coelho. E eu sei que a partir de hoje você procurará reconhecer o quanto algumas coisas realmente valem. O que é Sagrado para você? Você se venderia? Acho que não! Você não está a venda!
Eu confio em você!