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Opinião: Ao rabiscar texto da criança professor desestimula escrita

Estudantes devem criar hábito de ler o que escrevem. 
Aluno precisa ser estimulado a ter consciência sobre a escrita.

Certa vez, acompanhando uma criança em um trabalho psicopedagógico que, entre outras questões, apresentava dificuldade em escrever, dei uma olhada em sua produção de textos escolares.

 Em todas as redações que ela trouxe, muitas coisas teriam que ser trabalhadas, de modo que se tornassem legíveis e atingissem o principal objetivo de um texto escrito: comunicar algo.

 Com anos de prática em leitura e em acompanhar crianças que apresentam uma escrita peculiar e não convencional, tive muita dificuldade em ler seus textos. Não só pelo modo como escrevia, mas pelas anotações que a professora havia feito sobre eles, parecendo um verdadeiro rendado vermelho, em que a própria letra da professora não era muito legível.

 Sua técnica de correção era escrever na parte de cima das palavras ortograficamente erradas, em caneta vermelha, sua versão convencional – seja escrevendo a palavra inteira ou apenas a letra que havia sido trocada. E com flechas, riscos e inclusões de outras palavras, indicar como o texto deveria ser escrito. No final, um recadinho de como poderia melhorar. A criança cursava o segundo ou terceiro ano do ensino fundamental.

 Nada era muito claro em sua correção. O que imagino pouco tenha contribuído para que a criança aprimorasse sua escrita, pois seus outros textos continuavam do mesmo jeito. Perda de tempo para professor e aluno. Esse modo dos professores lidarem com o erro, seja ele ortográfico ou não, é muito comum. E pouco significativo para aqueles que estão aprendendo.

A correção da escrita para a criança só terá significado quando ela tomar consciência sobre como ela própria escreve e seu modo convencional. Para isso, ela tem que parar e olhar sua produção, criticamente. O melhor caminho para isso é estimular, desde muito cedo, que os pequenos leiam o que escrevem (queixa comum dos professores em relação aos seus alunos em qualquer idade). Assim, vão poder buscar recursos, dentre os quais a própria professora, de como proceder de maneira diferente para dar um sentido maior ao que escreve e aproximando-se da forma convencional de escrita (sem a qual não haveria comunicação alguma).

Ana Cássia Maturano - Especial para o G1, em São Paulo - Fonte: http://glo.bo/1RgLVLu